Principais falhas na escolha de um NAS para backup
Índice:
- Quais são as principais falhas na escolha de um NAS para backup?
- Subestimar o impacto do processador e da memória RAM
- A escolha inadequada do nível RAID
- Ignorar os gargalos da infraestrutura de rede
- Desconsiderar o sistema de arquivos e seus recursos
- Não planejar a escalabilidade do armazenamento
- Negligenciar a importância dos snapshots e da replicação
- Falhar na validação de compatibilidade de hardware
- Adotar um NAS doméstico para um ambiente corporativo
- A estratégia de backup define a escolha do equipamento
Muitas empresas investem em um Network Attached Storage (NAS) para centralizar seus backups, mas uma escolha equivocada frequentemente compromete toda a estratégia de proteção de dados. O problema quase sempre começa com um foco excessivo no custo por terabyte, ignorando diversos outros fatores técnicos que são igualmente importantes para a segurança e a disponibilidade das informações.
Essa supervisão pode resultar em restaurações lentas, corrupção de arquivos ou, no pior cenário, a perda total dos dados durante um incidente. Por isso, compreender as nuances de hardware, software e rede é um passo fundamental antes de qualquer aquisição. Uma análise criteriosa evita que o investimento em backup se torne, paradoxalmente, um novo ponto de falha na infraestrutura.
Quais são as principais falhas na escolha de um NAS para backup?
As falhas mais comuns envolvem subestimar a CPU e a RAM, escolher um nível RAID inadequado para a criticidade dos dados, ignorar gargalos na rede e negligenciar recursos essenciais do sistema de arquivos, como snapshots e proteção contra corrupção silenciosa.
Muitos gestores focam apenas na capacidade bruta em terabytes. No entanto, um processador fraco ou pouca memória RAM quase sempre transforma o processo de backup e, principalmente, a restauração em uma tarefa extremamente lenta e ineficiente para muitos usuários.
Além disso, a falta de portas de rede mais rápidas ou a ausência de recursos como a agregação de link (LACP) também limitam o desempenho, especialmente em ambientes com vários backups simultâneos. Esse gargalo frequentemente passa despercebido até que uma restauração urgente seja necessária.
Subestimar o impacto do processador e da memória RAM
Um erro frequente é tratar o NAS como um simples repositório de discos. Na verdade, a CPU e a RAM são vitais para as tarefas de backup, porque o equipamento precisa gerenciar transferências, executar verificações de integridade e, em alguns casos, rodar aplicativos de backup.
Por exemplo, um processador de baixo desempenho raramente consegue sustentar altas taxas de transferência em protocolos como SMB ou iSCSI, principalmente com criptografia ativa. Como resultado, os backups demoram muito mais que o previsto, extrapolando a janela de manutenção de várias empresas.
A memória RAM também é fundamental para o sistema. Pouca memória afeta diretamente o desempenho do sistema de arquivos, especialmente em sistemas avançados como o ZFS, que usa a RAM intensivamente para cache de leitura e escrita, otimizando o acesso aos dados.
A escolha inadequada do nível RAID
Várias equipes de TI ainda escolhem o RAID 5 para grandes volumes de dados por uma questão de custo-benefício. No entanto, em discos com vários terabytes, o tempo para reconstruir um array RAID 5 após uma falha pode levar dias, o que aumenta drasticamente o risco de uma segunda falha e a perda total dos dados.
Para a maioria dos cenários de backup empresarial, o RAID 6 ou o RAID 10 são quase sempre mais seguros. O RAID 6 suporta a falha simultânea de dois discos, enquanto o RAID 10 oferece um desempenho de escrita superior, que acelera bastante as rotinas de backup.
Portanto, a economia inicial com o RAID 5 pode se transformar em um prejuízo incalculável. A análise de risco deve sempre prevalecer sobre a economia de um ou dois discos no conjunto, pois a integridade dos backups é a prioridade máxima.
Ignorar os gargalos da infraestrutura de rede
Comprar um NAS com múltiplos discos e um processador potente não adianta se a conexão de rede for um gargalo. Muitas empresas ainda operam com redes de 1 GbE, uma velocidade que frequentemente se mostra insuficiente para backups de grandes volumes, como máquinas virtuais ou bancos de dados.
Um NAS para backup deve, no mínimo, ter portas de 2.5 GbE ou, idealmente, 10 GbE. Essa capacidade extra não apenas acelera os backups, mas também reduz o tempo de restauração, que é o fator mais crítico em um cenário de desastre.
Além da velocidade, recursos como o failover de rede e o LACP (Link Aggregation Control Protocol) são muito importantes. Eles aumentam a resiliência e a largura de banda disponível, garantindo que o backup não pare por causa de uma falha em um único cabo ou porta de switch.
Desconsiderar o sistema de arquivos e seus recursos
O sistema de arquivos é o coração de um NAS, mas raramente recebe a devida atenção. Sistemas como o EXT4 são confiáveis, mas não possuem mecanismos nativos para proteger contra a corrupção silenciosa de dados (bit rot), um risco real em armazenamentos de longo prazo.
Por outro lado, o ZFS, presente em sistemas como o QuTS hero da QNAP, foi projetado com a integridade dos dados em mente. Ele realiza checksums em tempo real para detectar e corrigir erros automaticamente, o que é uma camada de proteção essencial para os backups.
Adicionalmente, o ZFS oferece snapshots quase instantâneos e imutáveis. Esse recurso é uma defesa poderosa contra ransomware, pois permite reverter o sistema de arquivos para um ponto anterior à infecção, sem qualquer impacto no desempenho do storage.
Não planejar a escalabilidade do armazenamento
Muitas organizações compram um NAS que atende exatamente à sua necessidade atual de espaço. O problema é que o volume de dados cresce de forma exponencial, e um equipamento sem capacidade de expansão se torna obsoleto rapidamente.
Um bom planejamento envolve escolher um storage que suporte unidades de expansão (JBODs). Assim, quando o espaço acabar, basta conectar um novo enclosure para adicionar mais discos ao sistema, sem precisar migrar todos os dados para um novo equipamento.
Essa falta de visão futura frequentemente força a aquisição de um novo sistema em pouco tempo, gerando custos não previstos e um complexo projeto de migração. Portanto, a escalabilidade é um fator de economia a longo prazo para qualquer empresa.
Negligenciar a importância dos snapshots e da replicação
Achar que um backup é apenas uma cópia de arquivos é um equívoco perigoso. Recursos modernos como snapshots são cruciais, pois criam pontos de recuperação no tempo que podem ser restaurados em segundos, muito mais rápido que uma restauração tradicional a partir de arquivos.
Os snapshots são particularmente eficazes contra erros humanos ou ataques de ransomware. Se um usuário deleta um diretório inteiro por engano, por exemplo, o administrador pode restaurar a pasta a partir do último snapshot em poucos minutos.
Além disso, a replicação de dados para um segundo NAS, preferencialmente em outra localidade, é a base da estratégia de recuperação de desastres (DR). Sem uma cópia off-site, a empresa continua vulnerável a eventos locais como incêndios, inundações ou roubos.
Falhar na validação de compatibilidade de hardware
Um erro aparentemente simples, mas com consequências graves, é usar discos ou SSDs que não estão na Lista de Compatibilidade do Fabricante (QVL). Cada modelo de NAS é testado com uma lista específica de hardwares para garantir estabilidade e desempenho.
O uso de discos não homologados pode causar problemas imprevisíveis, como quedas de performance, falhas aleatórias no array RAID ou até mesmo a recusa do sistema em reconhecer as unidades. Em nossos testes, já vimos arrays inteiros se corromperem por causa de um único disco incompatível.
Por isso, antes de comprar os discos, é obrigatório consultar a QVL no site do fabricante do NAS. Essa verificação simples evita muita dor de cabeça e garante que o suporte técnico possa ajudar em caso de problemas com o equipamento.
Adotar um NAS doméstico para um ambiente corporativo
A tentação de usar um NAS de baixo custo, projetado para o mercado doméstico, em um ambiente de negócios é grande. No entanto, esses equipamentos raramente possuem os recursos de hardware e software necessários para um backup corporativo confiável.
Geralmente, os modelos domésticos têm processadores mais fracos, menos memória, fontes de alimentação simples e sistemas operacionais com menos recursos de segurança. Eles também não costumam ter integração com Active Directory ou suporte a iSCSI, funcionalidades comuns no mundo corporativo.
Essa economia ilusória quase sempre resulta em um sistema pouco confiável e com baixo desempenho. Para uma empresa, o investimento em um NAS projetado para o mercado SMB ou Enterprise é a única forma de garantir a proteção adequada dos seus dados.
A estratégia de backup define a escolha do equipamento
A escolha de um NAS para backup nunca deve ser dissociada da estratégia global de proteção de dados. Antes de olhar qualquer especificação, a equipe de TI precisa responder a algumas perguntas: qual é o nosso RTO (Recovery Time Objective) e RPO (Recovery Point Objective)?
Se o objetivo é restaurar uma máquina virtual em minutos (baixo RTO), um NAS com suporte a snapshots e alta performance de rede é indispensável. Se a prioridade é nunca perder mais que uma hora de trabalho (baixo RPO), a frequência dos backups e a capacidade do storage de suportar essa carga se tornam críticas.
Portanto, o equipamento não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta para executar uma política. Uma escolha bem-sucedida começa com o planejamento da política de backup e, só então, parte para a seleção do hardware que a suporta. Essa é a resposta para um sistema de backup eficiente.
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