Por que o backup é essencial em servidores all-flash
Índice:
- Por que o backup é essencial em servidores all-flash?
- A falsa sensação de segurança dos arranjos all-flash
- Riscos que a redundância de hardware não cobre
- O impacto da velocidade na propagação de erros
- Snapshots não são backups
- Estratégias de backup para sistemas all-flash
- A recuperação de dados em um cenário de desastre
- O backup como parte da conformidade e governança
- Integrando backup e alta performance de forma inteligente
Muitos administradores de sistemas adotam servidores all-flash por causa do seu desempenho superior e da alta confiabilidade dos SSDs. Essa tecnologia entrega uma latência muito baixa e um número de IOPS bastante elevado, o que acelera drasticamente as aplicações críticas. A arquitetura desses sistemas, com redundância de fontes, controladoras e arranjos RAID, também fortalece a continuidade dos negócios.
No entanto, essa mesma velocidade pode mascarar algumas vulnerabilidades críticas. A alta disponibilidade do hardware frequentemente gera uma falsa sensação de segurança, pois muitos profissionais acreditam que a redundância nativa dos componentes protege os dados contra qualquer tipo de perda. Essa suposição é perigosa e quase sempre equivocada, porque ignora as ameaças mais comuns aos dados corporativos.
Por que o backup é essencial em servidores all-flash?
O backup é essencial em servidores all-flash porque protege os dados contra falhas lógicas, como erros humanos, ataques de ransomware e corrupção de arquivos, cenários que a redundância de hardware não consegue evitar. Enquanto a tecnologia flash previne a perda de dados por falha física de um disco, ela não impede a exclusão acidental de uma máquina virtual ou a criptografia maliciosa de um banco de dados inteiro.
Um sistema de armazenamento all-flash executa comandos com extrema rapidez, sejam eles legítimos ou destrutivos. Por isso, um comando de exclusão equivocado ou um script malicioso se propaga quase instantaneamente por todo o volume de dados. O backup, por outro lado, cria uma cópia externa e isolada, que permite restaurar os arquivos para um estado anterior ao incidente, independentemente da velocidade ou da resiliência do hardware primário.
A falsa sensação de segurança dos arranjos all-flash
Vários gestores de TI investem em arranjos all-flash e acreditam que recursos como RAID 6 ou snapshots são suficientes para a proteção dos dados. Essa visão confunde disponibilidade com recuperabilidade. O RAID protege contra a falha de um ou mais SSDs, pois ele reconstrói os dados a partir da paridade. No entanto, o arranjo não tem qualquer capacidade para discernir se um arquivo foi corrompido ou deletado intencionalmente.
Se um usuário apaga uma pasta importante, o sistema all-flash cumpre a ordem de forma eficiente e replica essa exclusão em todo o conjunto. Da mesma forma, um ataque de ransomware criptografa os arquivos no nível do sistema operacional. Para o storage, essa atividade é apenas uma série de operações de escrita legítimas. Logo, a redundância do hardware apenas garante que os dados criptografados permaneçam disponíveis.
Riscos que a redundância de hardware não cobre
O erro humano continua sendo uma das principais causas de perda de dados em qualquer infraestrutura. Um administrador pode, por exemplo, deletar a máquina virtual errada ou executar um script de limpeza em um diretório de produção. Nesses casos, a velocidade do all-flash se torna um problema, pois a ação é imediata e irreversível sem uma cópia externa.
Ataques cibernéticos, especialmente ransomware, representam outro risco significativo que o hardware não mitiga. Esses malwares são projetados para criptografar o máximo de arquivos no menor tempo possível. Um servidor all-flash, com seu alto desempenho, acelera a ação do ransomware. Sem um backup isolado e, preferencialmente, imutável, a recuperação dos dados se torna praticamente impossível sem o pagamento do resgate.
O impacto da velocidade na propagação de erros
A principal vantagem dos servidores all-flash, a velocidade, também é seu maior risco em cenários de falha lógica. Uma anomalia, como a corrupção de um banco de dados por uma falha de software, se espalha rapidamente por todo o sistema. Em um ambiente com discos rígidos tradicionais, a latência maior poderia oferecer uma janela de tempo um pouco maior para a detecção do problema.
Em nossos testes, observamos que um script malicioso consegue comprometer terabytes de dados em poucos minutos em um ambiente flash. Por isso, a dependência apenas de mecanismos de replicação síncrona é arriscada. A replicação copia os dados corrompidos para o site secundário em tempo real, o que inutiliza o ambiente de recuperação. Um sistema de backup com versionamento é a única defesa eficaz nesse cenário.
Snapshots não são backups
Muitos sistemas de armazenamento all-flash oferecem um recurso de snapshots bastante sofisticado. Eles criam imagens instantâneas do estado dos dados em um ponto no tempo, o que permite uma reversão rápida. Embora sejam úteis para recuperar arquivos após uma atualização de software mal-sucedida, os snapshots frequentemente não funcionam como um backup verdadeiro.
O principal problema é que os snapshots geralmente residem no mesmo storage que os dados primários. Se o equipamento sofrer uma falha catastrófica, um incêndio ou for roubado, tanto os dados originais quanto os snapshots serão perdidos. Além disso, algumas variantes de ransomware são programadas para procurar e deletar os snapshots do sistema, o que elimina essa camada de proteção.
Estratégias de backup para sistemas all-flash
A estratégia de backup mais recomendada para qualquer ambiente crítico é a regra 3-2-1. Ela preconiza a manutenção de três cópias dos dados, em dois tipos de mídia diferentes, com pelo menos uma cópia armazenada fora do local principal. Para um servidor all-flash, isso significa ter a cópia de produção no próprio storage, uma segunda cópia em outro dispositivo (como um NAS ou fita) e uma terceira na nuvem ou em outro datacenter.
Também é importante que a ferramenta de backup seja compatível com as tecnologias do ambiente. Soluções modernas se integram aos hypervisors e às aplicações para realizar cópias consistentes sem interromper os serviços. Recursos como a deduplicação e a compressão ainda ajudam a reduzir o espaço necessário para armazenar os backups e o consumo de banda da rede durante a transferência.
A recuperação de dados em um cenário de desastre
Imagine que o datacenter principal sofreu uma inundação e todo o hardware foi perdido, incluindo o servidor all-flash. Nesse momento, a disponibilidade do hardware se torna irrelevante. A única forma de a empresa retomar suas operações é por meio da cópia de segurança que estava armazenada em um local seguro e externo.
O plano de recuperação de desastres (Disaster Recovery) depende inteiramente da existência e da qualidade desses backups. É a partir deles que os administradores conseguem reconstruir o ambiente em uma nova infraestrutura. Por isso, testar periodicamente o processo de restauração é tão importante quanto realizar as cópias. Um backup que nunca foi testado raramente é um backup confiável.
O backup como parte da conformidade e governança
Além da proteção contra desastres técnicos, o backup desempenha um papel fundamental na conformidade regulatória. Muitas leis, como a LGPD no Brasil e a GDPR na Europa, exigem que as empresas retenham dados por períodos específicos e garantam sua integridade. Apenas um sistema de backup com políticas de retenção bem definidas atende a esses requisitos.
Em caso de auditorias ou disputas legais, a empresa pode precisar apresentar registros de transações ou comunicações de vários anos atrás. Os arquivos de backup são frequentemente a única fonte para obter esses dados históricos. Um storage de produção, mesmo all-flash, é projetado para dados ativos, não para arquivamento de longo prazo. Portanto, a ausência de uma rotina de backup pode gerar multas pesadas e sanções legais.
Integrando backup e alta performance de forma inteligente
Servidores all-flash e sistemas de backup não são tecnologias concorrentes, mas sim complementares. O storage all-flash entrega a performance e a disponibilidade necessárias para as operações do dia a dia. O backup, por sua vez, oferece a resiliência e a capacidade de recuperação contra falhas lógicas e desastres que o hardware, por si só, não consegue endereçar.
Investir em uma infraestrutura de armazenamento de alto desempenho sem alocar recursos para uma estratégia de backup robusta expõe a organização a riscos inaceitáveis. A velocidade do flash acelera os negócios, mas também acelera o impacto de um erro. Assim, um bom sistema de backup é a apólice de seguro que protege o ativo mais valioso da empresa: seus dados.
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