Principais falhas ao escolher um NAS all-flash
Índice:
- Quais são os principais gargalos em um NAS all-flash?
- A escolha inadequada dos SSDs
- Subestimar a importância da rede
- Ignorar o processador e a memória RAM
- Confundir redundância com backup
- Foco excessivo na taxa de transferência sequencial
- Desprezar a lista de compatibilidade de hardware
- A decisão correta para o ambiente all-flash
A migração para um storage NAS all-flash promete um salto expressivo no desempenho, mas muitos projetos falham por erros básicos na fase de planejamento. A velocidade dos SSDs pode mascarar gargalos em outras partes da infraestrutura, o que frequentemente leva a um investimento com retorno abaixo do esperado. Um sistema all-flash mal dimensionado quase sempre entrega performance similar a soluções híbridas mais baratas.
Vários gestores de TI focam apenas na taxa de transferência dos drives e esquecem que um servidor de armazenamento é um ecossistema complexo. A escolha correta envolve analisar a rede, o poder de processamento, a memória e, principalmente, o tipo de carga de trabalho que o equipamento vai suportar. Ignorar esses fatores é a receita para o desperdício de recursos e para a frustração da equipe.
Quais são os principais gargalos em um NAS all-flash?
Um NAS all-flash utiliza exclusivamente SSDs para armazenar dados, o que elimina os gargalos mecânicos dos discos rígidos tradicionais e entrega latência muito baixa. No entanto, o erro mais comum é acreditar que apenas os drives definem a velocidade total. Na prática, o desempenho do sistema frequentemente encontra seus limites na infraestrutura de rede ou no próprio hardware do storage.
Muitas empresas investem em um equipamento de ponta, mas o conectam a uma rede Gigabit Ethernet (1GbE). Essa conexão limita a taxa de transferência a cerca de 125 MB/s, um valor que mesmo um único SSD SATA já supera com facilidade. Assim, o verdadeiro gargalo não está no armazenamento, mas na incapacidade da rede para transportar os dados na velocidade que o sistema consegue ler ou escrever.
A escolha inadequada dos SSDs
Nem todos os SSDs são iguais, e essa é uma falha de avaliação bastante recorrente. Muitos administradores optam por drives de consumidor, geralmente baseados em tecnologia QLC (Quad-Level Cell), por causa do custo mais baixo. Esses modelos são ótimos para leitura, mas sua durabilidade em cenários com escrita intensiva é muito limitada. Por isso, eles raramente são adequados para ambientes corporativos.
A durabilidade de um SSD é medida por métricas como TBW (Terabytes Written) ou DWPD (Drive Writes Per Day). SSDs corporativos, geralmente com tecnologia TLC (Triple-Level Cell) ou superior, oferecem valores de DWPD muito mais altos e são projetados para suportar cargas de trabalho mistas 24/7. Usar um drive inadequado quase sempre resulta em falhas prematuras e perda de dados, o que invalida a economia inicial.
Subestimar a importância da rede
Um NAS all-flash de alta performance exige uma rede à sua altura para entregar todo o seu potencial. Como mencionado, uma infraestrutura de 1GbE é insuficiente para a maioria dos casos. Para extrair o máximo do investimento, a rede deve ter, no mínimo, 10GbE. Em ambientes que demandam ainda mais velocidade, como edição de vídeo ou virtualização, conexões de 25GbE ou superiores são necessárias.
Além da velocidade da porta, a configuração correta também é fundamental. A agregação de link (LACP), por exemplo, pode somar a largura de banda de múltiplas portas de rede para aumentar a resiliência e o throughput total. Sem uma análise cuidadosa da topologia de rede, muitas equipes acabam com um sistema de armazenamento super-rápido que opera em marcha lenta.
Ignorar o processador e a memória RAM
O sistema operacional de um NAS moderno executa diversas tarefas em segundo plano que consomem recursos de processamento e memória. Funções como snapshots, replicação de dados, deduplicação e compressão exigem bastante do hardware. Um processador fraco ou pouca memória RAM podem se tornar o principal gargalo, mesmo com os SSDs mais rápidos do mercado.
Em nossos testes, observamos que sistemas com CPUs de baixo desempenho frequentemente não conseguem sustentar altas taxas de IOPS (operações de entrada e saída por segundo). O processador simplesmente não acompanha a demanda, o que limita a velocidade das aplicações. Portanto, o equilíbrio entre a capacidade dos SSDs e o poder do hardware central é essencial.
Confundir redundância com backup
Muitos profissionais ainda acreditam que um arranjo RAID é uma estratégia de backup. Essa confusão é perigosa. O RAID protege contra a falha física de um ou mais drives, mas não oferece qualquer proteção contra erros humanos, ataques de ransomware ou corrupção de arquivos. Se um arquivo for deletado acidentalmente, o RAID vai replicar essa exclusão em todo o conjunto.
Um NAS all-flash, por mais confiável que seja, precisa de uma rotina de backup externa. A estratégia 3-2-1 (três cópias dos dados, em duas mídias diferentes, com uma cópia fora do local) continua sendo a melhor prática. Confiar apenas na redundância do storage é um risco que nenhuma empresa deveria correr, pois a recuperação de dados sem backup é quase sempre impossível.
Foco excessivo na taxa de transferência sequencial
Os fabricantes frequentemente destacam as velocidades de leitura e escrita sequencial em seus materiais de marketing, com números que chegam a milhares de MB/s. Embora impressionantes, esses valores refletem apenas um tipo de carga de trabalho, como a transferência de arquivos grandes. Muitas aplicações, como bancos de dados e máquinas virtuais, dependem de operações de leitura e escrita aleatórias.
Para essas cargas de trabalho, a métrica mais importante é o IOPS. Um NAS pode ter uma taxa sequencial fantástica, mas um desempenho de IOPS medíocre, o que o torna inadequado para ambientes de virtualização. A análise do tipo de dado e da aplicação que vai usar o storage é fundamental para escolher um equipamento com o perfil de desempenho correto.
Desprezar a lista de compatibilidade de hardware
Todos os fabricantes de NAS mantêm uma HCL (Hardware Compatibility List), que detalha os modelos de SSDs, discos rígidos, placas de rede e outros componentes testados e aprovados para uso em seus equipamentos. Ignorar essa lista é um erro grave. Usar um SSD não homologado pode causar instabilidade, baixo desempenho ou até mesmo a recusa do suporte técnico em caso de problemas.
Embora alguns drives não listados possam funcionar, não há qualquer garantia de estabilidade a longo prazo. O firmware dos SSDs e do NAS é projetado para trabalhar em conjunto. Qualquer incompatibilidade pode gerar falhas intermitentes difíceis de diagnosticar. Aderir à HCL sempre simplifica o gerenciamento e assegura a confiabilidade do sistema.
A decisão correta para o ambiente all-flash
Escolher um NAS all-flash vai muito além de comparar preços e velocidades máximas. A decisão correta exige uma visão holística do ambiente, que considera a rede, as cargas de trabalho, as necessidades de backup e os planos de crescimento futuro. Cada um desses elementos tem um peso significativo no resultado final.
O erro fundamental é tratar o storage como um componente isolado. Ele é, na verdade, o coração de uma infraestrutura de dados, e seu desempenho depende diretamente da saúde dos outros órgãos. Ao evitar as falhas comuns de planejamento, as equipes de TI garantem que o investimento em tecnologia all-flash se traduza em um ganho real de produtividade e eficiência. A análise cuidadosa é a resposta.
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