Sistemas de armazenamento empresariais: onde e como aplicar
Índice:
- O que define um sistema de armazenamento empresarial?
- Armazenamento conectado diretamente (DAS) e suas aplicações
- Quando o Network Attached Storage (NAS) é a melhor escolha?
- A complexidade e o poder da Storage Area Network (SAN)
- Armazenamento unificado: a convergência de NAS e SAN
- A importância dos discos: HDD, SSD e a tecnologia All-Flash
- Estratégias de backup e recuperação de desastres
- Como a escalabilidade influencia a escolha do sistema?
- Gerenciamento e monitoramento da infraestrutura
- A escolha certa para cada cenário empresarial
A crescente avalanche de dados digitais impõe um desafio constante para muitas empresas. A simples compra de mais discos rígidos raramente resolve o problema, porque a infraestrutura de armazenamento corporativa exige muito mais que apenas capacidade. Ela precisa de desempenho, redundância e um gerenciamento centralizado para suportar as operações críticas do negócio sem falhas.
Escolher o sistema de armazenamento errado pode gerar gargalos de performance, dificultar o compartilhamento de arquivos e até mesmo expor a empresa a perdas de dados catastróficas. Por isso, entender as diferenças entre as tecnologias disponíveis e suas aplicações práticas é fundamental. Cada tipo de sistema foi projetado para resolver um conjunto específico de problemas, desde o acesso rápido a um banco de dados até o compartilhamento de documentos entre centenas de usuários.
O que define um sistema de armazenamento empresarial?
Um sistema de armazenamento empresarial é uma solução de hardware e software projetada para alta disponibilidade, desempenho consistente e escalabilidade. Diferente das soluções para usuários domésticos, esses equipamentos incluem componentes redundantes, como fontes de alimentação e controladoras, para evitar qualquer ponto único de falha. Frequentemente, eles também possuem recursos avançados de gerenciamento.
As tecnologias corporativas se distinguem pela sua resiliência e velocidade. Enquanto um disco comum pode falhar sem aviso, um storage empresarial monitora a saúde dos discos e usa arranjos RAID para proteger os dados. Além disso, ele entrega taxas de transferência e IOPS (operações de entrada e saída por segundo) muito superiores, essenciais para aplicações que atendem múltiplos usuários ou processos simultaneamente. Essa robustez toda justifica o investimento maior.
Armazenamento conectado diretamente (DAS) e suas aplicações
O Direct-Attached Storage, ou DAS, representa a forma mais simples de armazenamento, onde os discos são conectados diretamente a um único servidor. Essa arquitetura quase sempre elimina a latência da rede, pois os dados trafegam por uma interface de alta velocidade como SAS ou PCIe. Por essa razão, o DAS oferece um desempenho excelente para a máquina à qual está conectado.
Apesar da sua velocidade, um DAS tem limitações claras. Ele não permite o compartilhamento de dados com outros servidores, o que o torna inadequado para ambientes colaborativos ou clusterizados. Sua aplicação ideal é em cenários específicos, como em um servidor de banco de dados que precisa de acesso exclusivo e rápido aos seus arquivos, ou para armazenar o sistema operacional e as aplicações de um único host. É uma solução pontual e bastante eficaz para algumas cargas de trabalho.
Quando o Network Attached Storage (NAS) é a melhor escolha?
Muitas empresas precisam de um local central para que diversas equipes acessem e colaborem em arquivos. O Network Attached Storage (NAS) resolve exatamente esse problema, pois funciona como um servidor de arquivos dedicado na rede local. Ele usa protocolos padrão como SMB/CIFS (para ambientes Windows) e NFS (para Linux/Unix), o que simplifica o acesso a partir de qualquer computador conectado à rede.
Um servidor NAS é a escolha ideal para centralizar dados não estruturados, como documentos, planilhas e vídeos. Ele também serve muito bem como um alvo para backups centralizados de estações de trabalho e outros servidores. A implementação é relativamente simples e o custo-benefício para compartilhamento de arquivos é excelente, especialmente em redes com infraestrutura de 2.5GbE ou 10GbE, que evitam gargalos de transferência.
A complexidade e o poder da Storage Area Network (SAN)
Ambientes de virtualização e grandes bancos de dados transacionais exigem um desempenho que o armazenamento em nível de arquivo raramente entrega. A Storage Area Network (SAN) atende essa demanda ao fornecer acesso em nível de bloco aos servidores. Em uma SAN, o sistema operacional do servidor enxerga o armazenamento como um disco local (LUN), embora ele esteja em uma rede dedicada de alta velocidade, geralmente Fibre Channel ou iSCSI.
Essa arquitetura de blocos reduz drasticamente a latência e aumenta o throughput, por isso é a base para a maioria dos datacenters modernos. Uma SAN suporta de forma eficiente clusters de servidores, failover automático e migração de máquinas virtuais sem downtime. No entanto, sua configuração e gerenciamento são complexos e exigem conhecimento técnico especializado, além de um investimento consideravelmente maior em hardware, como switches e adaptadores específicos.
Armazenamento unificado: a convergência de NAS e SAN
Gerenciar infraestruturas separadas para arquivos (NAS) e blocos (SAN) pode ser caro e ineficiente. Várias empresas enfrentam esse dilema, pois precisam dos dois tipos de acesso. As soluções de armazenamento unificado surgiram para resolver essa questão, ao oferecerem suporte a protocolos de arquivo e de bloco a partir de um único equipamento. Isso simplifica bastante a administração do ambiente.
Com um sistema unificado, um administrador pode provisionar uma LUN iSCSI para um cluster de virtualização e, ao mesmo tempo, criar um compartilhamento SMB para o departamento de marketing, tudo na mesma interface. Essa flexibilidade otimiza o uso dos recursos de hardware e reduz o espaço físico ocupado no rack. Para empresas de médio porte que precisam das duas funcionalidades, essa abordagem frequentemente representa o melhor equilíbrio entre custo, desempenho e simplicidade.
A importância dos discos: HDD, SSD e a tecnologia All-Flash
O tipo de mídia de armazenamento impacta diretamente o desempenho de todo o sistema. Os discos rígidos (HDDs) corporativos, geralmente com interface SAS e altas rotações (RPM), ainda são ótimos para armazenar grandes volumes de dados a um baixo custo. Eles são a escolha certa para arquivos acessados com pouca frequência, como arquivos mortos e backups de longo prazo.
Por outro lado, aplicações que não toleram latência, como bancos de dados online e desktops virtuais (VDI), exigem a velocidade dos Solid-State Drives (SSDs). Os sistemas All-Flash, que usam apenas SSDs, entregam um desempenho de IOPS milhares de vezes superior ao dos HDDs. Ao escolher um SSD empresarial, é importante verificar métricas como DWPD (gravações de disco por dia) e TBW (terabytes gravados), que indicam sua durabilidade para cargas de trabalho intensas.
Estratégias de backup e recuperação de desastres
Um sistema de armazenamento robusto é também um pilar fundamental para qualquer plano de proteção de dados. Recursos nativos como snapshots, por exemplo, criam cópias instantâneas de volumes ou pastas em um ponto no tempo. Essas cópias quase não ocupam espaço adicional e permitem restaurar arquivos ou até mesmo máquinas virtuais inteiras em poucos segundos, o que é muito útil contra erros humanos ou ataques de ransomware.
Para uma proteção ainda maior, a replicação de dados é essencial. A replicação síncrona copia os dados em tempo real para um segundo storage, garantindo zero perda de dados em caso de falha do sistema primário. Já a replicação assíncrona envia os dados em intervalos programados para um local remoto, uma peça-chave para um plano de recuperação de desastres que protege a empresa contra incidentes que afetem todo o datacenter, como incêndios ou inundações.
Como a escalabilidade influencia a escolha do sistema?
O volume de dados de uma empresa quase sempre cresce, por isso o sistema de armazenamento precisa acompanhar essa expansão. Existem duas abordagens principais para a escalabilidade. A primeira é o scale-up, onde se adicionam mais discos, gavetas de expansão ou controladoras mais potentes ao sistema existente. Esse modelo é mais simples e atende bem a um crescimento previsível.
A segunda abordagem é o scale-out, que expande o sistema com a adição de novos nós (servidores de armazenamento) a um cluster. Cada novo nó adiciona capacidade e poder de processamento, o que melhora o desempenho linearmente. A arquitetura scale-out é ideal para ambientes com crescimento rápido e imprevisível, como provedores de serviços em nuvem ou plataformas de big data, embora seu custo inicial seja geralmente mais alto.
Gerenciamento e monitoramento da infraestrutura
Apenas instalar um sistema de armazenamento não basta, pois ele precisa ser gerenciado e monitorado continuamente para garantir sua saúde e eficiência. As plataformas modernas oferecem interfaces de gerenciamento centralizadas que exibem o status dos discos, o uso da capacidade e as métricas de desempenho em tempo real. Um bom monitoramento ajuda a identificar problemas antes que eles causem paradas.
Configurar alertas automáticos é uma prática recomendada. O sistema pode, por exemplo, enviar um e-mail para a equipe de TI quando um disco apresentar sinais de falha ou quando a capacidade de um volume atingir um limite crítico. Essa proatividade evita surpresas desagradáveis e permite que os administradores planejem upgrades ou substituições sem afetar a operação dos usuários. Um gerenciamento atento melhora muito a vida útil do equipamento.
A escolha certa para cada cenário empresarial
Não existe um sistema de armazenamento universal que sirva para todas as empresas. A decisão correta depende de uma análise cuidadosa das cargas de trabalho, dos requisitos de desempenho e do orçamento disponível. Cada tecnologia, seja DAS, NAS ou SAN, possui um lugar específico onde brilha e entrega o máximo de valor para o negócio.
Para pequenos escritórios que precisam compartilhar arquivos, um NAS simples geralmente é suficiente. Empresas em crescimento que adotam a virtualização provavelmente vão precisar de uma solução unificada ou uma SAN iSCSI. Já os ambientes que rodam aplicações de missão crítica com altíssima demanda por performance encontrarão nos sistemas All-Flash a resposta que procuram. Portanto, entender a própria necessidade é o primeiro e mais importante passo para uma implementação bem-sucedida.
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